_ Prêmio
"E
que se dane com quem você fica, quando não tá comigo. O que você faz,
fala, seus planos e expectativas. Porque 'estar comigo' é raso demais e
talvez nem valha a pena mergulhar fundo, mais uma vez. Morrer afogada,
de novo. Estar contigo é ótimo, eu gosto muito da sua companhia, de
como a gente funciona e adoro como eu me sinto, de verdade. Mas não é
você, no fundo eu sei e tudo bem. Ainda não é você quem vai me deixar
paranóica por não ter motivos pra ter paranóias. Não é você o cara que
eu vou poder fazer planos em paz e pensar com um sorriso bobo em como
nossos filhos seriam bonitos, e torcer pra terem o seu cabelo. Não é
você que vai me segurar se eu desabar, não é. Nem você, nem ninguém que
já tenha passado pela minha vida. Talvez ninguém mesmo, assim, sem
complementos: Ninguém no mundo. Porque eu não sou fácil, tenho plena
consciência disso. Sei que homem é homem, blablabla natureza, instinto,
perdão, tô sabendo de todas essas coisas também.
Mas eu levanto um letreiro neon escrito amor e não abro mão de que me
entendam, assim como entendem toda essa babaquice de banalizar
fidelidade por causa de uma merda de impulso. Me poupe, quem não tem
esses momentos? Mulher também sente atração, mulher também é cercada de
tentações, então vamos pular essa historinha pra boi dormir. Minhas
necessidades também tem que ser supridas e isso, fatalmente, colide com
essa tolerância que, supostamente, as mulheres devem ter pra manter um
relacionamento duradouro e feliz. Não tô pronta pra isso, entender,
entender, engolir sapo, relevar, entender mais um pouco. Acho que nessas
minhas tentativas de ser dois, acabei ficando unitária demais, egoísta
demais, sozinha demais, exigente. Não nasci pra aturar essa gente tão
acomodada nesse machismo imbecil, valores perdidos, tempo atrasado. E,
sem querer parecer frígida, tenho achado que esse tipo de solidão é meu
prêmio, não meu castigo."